sexta-feira, 26 de junho de 2009
A SOBERANIA ALIMENTAR
Insegurança alimentar das famílias residentes em municípios do interior do Estado da Paraíba, Brasil
O artigo objetiva identificar a prevalência de segurança e insegurança alimentar entre famílias de 14 municípios da Paraíba relacionando com o perfil social, demográfico e econômico. Para isso utilizou-se um inquérito populacional com 4.533 famílias juntamente com a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. Observou-se uma prevalência de insegurança alimentar leve e moderada, sendo que a maior parte da população foi classificada em situação de segurança alimentar. As áreas rurais apresentaram pior situação. Conclui-se que a prevalência de insegurança alimentar foi elevada. O instrumento utilizado (EBIA) demonstrou ser uma ferramenta importante de avaliação da situação de segurança alimentar e útil para o monitoramento de políticas públicas.
Larissa Tannus e Neidiane Perreira (Autoras do resumo)
ODE À VILA CRUZEIRO
Por Paulo da Vida Athos
Meus gritos despertam as noites,
ferem os tímpanos das madrugadas,
atravessam ruas e cidades,
violentam fronteiras,
misturam-se aos berros de dor,
aos sussurros e gemidos de amor,
ao silêncio que acompanha a lágrima que corre na face da vida,
antes de se perder no nada.
Meu grito é mais que um grito!
É lamento de cada esperança morta,
mas também vagido.
Se incomodar, pouco importa!
Vai além das janelas, não respeita portas
trancadas pelo cinismo, pelo egoísmo,
pela apatia geral.
Meu grito é irreprimível.
Sai de mim
mas pertence aos bêbados caídos em cada beco,
às putas e decaídas,
aos meninos que moram na esquina,
às vítimas de cada chacina,
à legião excluída do banquete da vida.
Meu grito é a rajada mortal,
é o som da bala perdida,
o olhar de incredulidade,
da dor surda, dor aguda,
da mãe que perde a vida,
por ela criada, por ela parida,
no momento exato e fatal
quando lhe falta o chão,
quando lhe roubam o ar,
e ainda tem que escutar...
que tudo isso é normal.
Meu grito é mais que grito!
É uivo de cão errante, malsão,
de animal em extinção,
que vai por aí sem se importar
se está na contramão,
se o vão pegar no contrapé,
se a caminhada é curta ou distante,
se o caminho existe ou se é só sonho
de alma delirante.
Meu grito é vira-lata
e será ouvido em cada esquina,
invadirá janelas abertas,
deixará certezas incertas,
converterá alguns e seguirá caminho.
Meu grito é dor de pranto,
que teimam fingir não ouvir,
que vem de escuras vielas,
dos cruzeiros, das favelas,
dos meninos em volta de velas,
sem amanhã para despertar...
Meu grito é grito demente!
Eu como ele, não mudo!
Sou desses seres inválidos para a covardia.
Dizem-me louco, digo-os surdos.
Fome, desnutrição e cidadania: inclusão social e direitos humanos
Marisa Nascimento e Siene Santos (Autoras do resumo)
Política Agrícola na Índia
Estas intervenções resultaram na criação de instituições comissão para preços e custos agrícolas ( CACP ), corporação de sementes , corporação de alimentos da Índia ( FCI ) . O objetivo maior da política alimentícia na Índia é tornar disponíveis alimentos para a população a preços razoáveis. Os objetivos mais específicos incluem ; propiciar preços remunerados aos cultivadores ; distribuir alimentos a preços subsidiados para os subnutridos ; controlar pressões inflacionária; estabelecer preços para os consumidores e produtores ; reduzir as flutuações da disponibilidade de alimentos e atingir a auto – suficiência na produção de grãos alimentícios .
As famílias cadastradas como '' abaixo da linha de pobreza '' pagam 50 % do custo econômico da cesta básica as famílias ''acima da linha de pobreza '' pagam o custo econômico. Além disso , o governo central paga aos Estados a diferença entre o preço de distribuição ; ( incluindo frete e embalagem ) e o custo da aquisição . O fortalecimento da alimentação doméstica e a segurança nutricional e o uso sustentável dos recursos naturais deverão continuar a ser os principais objetivos do desenvolvimento agrícola do país .
Maykson Costa e Edilson Neiva (Autores do resumo)
Doenças da fome
A palavra fome pode abranger dois significados, sendo eles apetite e subalimentação. No que se refere a apetite significa vontade de comer um fenômeno instintivo e responsável por motivarmos a nos alimentar. Já como sinônimo de subalimentação, fome é a impossibilidade de comer, ou seja, de satisfazer esse instinto.
Sabe-se que o instinto de apetite diferentemente dos demais é o único cuja satisfação esta diretamente subordinada à situação financeira dos indivíduos. Dessa forma quais seriam os fatores que são condicionantes para se ter uma boa alimentação e assim possibilitar a segurança alimentar e nutricional da população que se encontra em situação de vulnerabilidade?
Dois fatores são imprescindíveis a boa alimentação: Quantidade e qualidade. Pela ordem quantitativa é impossível alimentar-se bem comendo pouco. Isso porque nosso organismo precisa de energia suficiente para manter nossas necessidades nutricionais e evitar uma situação de desequilíbrio nutricional. Essa é a definição de fome global, energética ou caloria.
Qualitativamente, a dieta deve apresentar um aporte de alimentos protetores dentre os quais se destacam as proteínas, vitaminas e minerais. A ausência desses na dieta a médio e longo prazo pode levar ao desenvolvimento de fome parcial que se define tanto pela ausência desses alimentos na dieta quanto pela insuficiência desses (monotonia alimentar ou desequilíbrio alimentar).
Porém a realidade ao qual estamos inseridos submete boa parte da população à condição de má alimentação sendo os grupos biologicamente mais vulneráveis as crianças de até quatro anos, mães em amamentação e gestantes. Isso por dois motivos básicos. Primeiramente, essa é a faixa da população mais sensível a doenças infecciosas e que mais necessita ser protegida pela boa alimentação. Além disso, a fome vai deixando traços e deformações que serão absolutamente irreversíveis, sobretudo nas crianças, pois ela rouba do individuo boa parte daquilo que o seu potencial genético estava destinado a realizar.
Por esse motivo, que as ações devem voltar-se em especial sobre as crianças. Isso porque a desnutrição causa impacto direto no crescimento e desenvolvimento delas, assim como promove defeitos no sistema imune colocando-as com maior predisposição a doenças infecciosas e as verminoses. Duas formas extremas de desnutrição que se tem conhecimento são o Kwashiorkor e o marasmo. Ambos são caracterizados por déficits, sendo o primeiro por proteínas e o segundo por calorias. Entretanto é preciso estar atento a desnutrição discreta que assola dezenas de crianças em todo o planeta, pois é essa que vai matando aos poucos e conduzindo a sérios danos a saúde.
A fome é sem dúvidas uma doença social e que torna doente a própria coletividade por onde se propaga. Isso porque o desnutrido costuma ter menor motivação para estudar o que geralmente corrobora para os altos índices de repetência e até mesmo abandono escolar. Assim, a sociedade perde duplamente, pois a criança desnutrida de hoje tornar-se-á o trabalhador pouco qualificado de amanhã. Além disso, essa mão de obra pouco qualificada geralmente será mal remunerada, tornando o mercado interno limitado e pouco desenvolvido economicamente.
O movimento de globalização vem intensificando a propagação de fome pelo mundo uma vez que o mesmo propõe uma mudança no padrão alimentar das sociedades atingidas. Dessa forma interesses econômicos se sobressaem à cultura e hábitos alimentares desses países alvos de excedentes agrícolas e se forma um padrão homogeneizado, onde o trigo e todas as marcas exportadas pela potencia mor se torna um símbolo de inclusão no mundo civilizado.
No Brasil, a discrepância entre pobres e ricos é gritante. Isso é em parte reflexo de um sistema colonial de exploração e concentração de rendas que ainda hoje é vigente em nossa sociedade.
Hyolanda Reis, Layane Thaís e Marília Rocha (Autoras do resumo).
Autoconsumo e segurança alimentar: a agricultura familiar a partir dos saberes e práticas da alimentação
O estudo aborda a relação das práticas alimentares das famílias rurais e as representações sociais que demonstram apreensão de suas percepções a respeito da agricultura, da natureza e do rural, e como está interfere em suas vidas, estas foram observação participante, entrevistas estruturadas e não-estruturadas.
Pode ser observado que nos cultivos e criações há utilização de tecnologias modernas assim como técnicas tradicionais concomitantemente, para auto-consumo das famílias, associada à garantia de sua segurança alimentar. As práticas atuais de produção e de consumo de alimentos, bem como as variedades vegetais e animais empregadas na alimentação, foram confrontadas com as de período precedente este foi anterior ao processo de erosão das biodiversidades e culturas locais, passando pela interferência da intensificação da produção agropecuária.
Na atualidade é difícil ocorrerem mutirões de trabalho, com mobilização coletiva que era feita em clima festivo e quando vizinhos e parentes se reuniam para 'carnear' um animal.
Ainda nesse contexto pode ser visto que as mulheres agricultoras são as primeiras responsáveis pela produção de alimentos voltada ao auto-consumo, porém, não há valorização de seu trabalho e existe uma redução da produção de alimentos voltada ao auto-consumo por estas devido ao distanciamento do trabalho agrícola por não valorização podendo levar a uma insegurança alimentar.
Sendo assim essas famílias rurais vem passando por intensas mudanças em suas práticas alimentares e ainda assim há segurança alimentar.
Alessandra Silva e Deise Sena ( Autoras do resumo)
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